Machete D’Ilha

A Machete D’Ilha nasce como um desdobramento dos mais de 25 anos de pesquisa de Chico Saraiva com o grupo A Barca, aprofundando o diálogo entre a música de tradição oral brasileira e novas possibilidades de criação. Tendo a viola machete — instrumento emblemático do Recôncavo Baiano — como eixo sonoro, o trabalho reúne Chico Saraiva (voz, viola machete e violão) e Carolina Moya (voz, dança, palmas e sapateado flamenco), construindo uma linguagem entrelaçada pela música, corpo e ritmo. O repertório trás toada reveladas pela Barca, como Dona Mariquinha, Galho da Limeira e tradições como Baião de Princesas, Congados e Carimbós; Sonoridades em que Chico aprofundou sua pesquisa como a do samba de roda e a dos bois de Parintins [LINK Para Machete D’Ilha – Vídeos/campo/pesquisa] além composições autorais que dialogam diretamente com essas tradições e já são amplamente executadas, como Oyá Oyá (Chico Saraiva e Délcio Carvalho) e Na Virada da Costeira (Chico Saraiva e Paulo César Pinheiro).

Criada nas noites de Florianópolis, a Machete D’Ilha amplia esse percurso e repertório ao aproximar a pesquisa de Chico das sonoridades afro-catarinenses, especialmente do Cacumbi, e das influências latino-americanas que também habitam a ilha. Esse trânsito entre territórios se revela tanto nas releituras quanto nas criações, como a versão em português de Quarto de Tula (Buena Vista Social Clube), de Chico Saraiva e Paulo Nunes. Reafirmando a vocação da banda para construir pontes entre diferentes tradições musicais diaspóricas do Atlântico, incluindo modas Cabo Verdianas, sem perder de vista a natureza transcultural da viola machete como o elemento que costura e é resultado das travessias entre Portugal e África, imprimindo sua identidade a um repertório plural.